Maratona do Recife 2002
por Walker Bezerra Vieira

Walker Bezerra Vieira compartilha sua experiência na maratona de Recife, a qual conseguiu completar mesmo sendo o asfalto um terror para ele devido a lesões no passado. 


12ª Maratona do Recife, realizada no Domingo, 28 de julho de 2002

Ajustei o meu Polar para uma freqüência cardíaca com amplitude de variação em 145 b.p.m e 180 b.p.m. A minha largada foi boa, controlada etc e tal. Passei os 10km com 48min13seg. Na verdade, eu fiz uma divisão da prova: somei os tempos de 50 minutos para 10km, 1h40min para os 20km, 2h30min para os 30km e 3h20min para os 40km. Nesse ritmo, passei os 10km com 48min13seg (conforme disse), "estava inteirão"! (risos).
Cheguei aos 20km com 1h40min48seg. Também inteiro e confiante para conseguir um bom tempo.

Por volta do km 22, senti uma pontada na coxa direita (região anterior). Não foi câimbra nem contratura, apenas a musculatura deu sinal de que algo não estava bem. Até então, a minha freqüência cardíaca estava na faixa de 160 b.p.m.

Comecei a sentir a musculatura dos membros inferiores por volta do km 24. Coxas, pernas (panturrilhas), quadris etc e tal. A partir de então fiz uma "leitura do meu corpo" e percebi que não estava cansado de forma alguma. Não estava ofegante e do ponto de vista cardiovascular, estava descansado e com vontade de seguir em frente. mas a musculatura dos membros inferiores não respondia.

Houve um fato que me surpreendeu por volta do km 27. Um rapaz que conheci na largada (veio de Londrina), com meta de correr para 3h05min. Nós havíamos conversado de forma amistosa e inclusive largamos juntos. Fomos (ele na frente), juntos até o km 5, quando o perdi de vista. No km 27 aproximadamente, eu o encontrei parado no calçadão da Avenida Boa Viagem, ele me cumprimentou e disse que não havia conseguido, desistiu da prova. Para mim foi uma surpresa. Parecia ser uma boa pessoa, uma dessas pessoas amistosas que encontramos no mundo fantástico da Maratona.

Mas vamos a prova (risos). No km 30, eu já estava com 14min além do tempo estipulado, mas mesmo assim mantive o ânimo. Foi a partir daí que a coisa começou a ficar complicada. Confesso que não andei de forma alguma, mas uma pessoa andando rápido, em certos momentos estaria se deslocando mais rápido do que eu. A partir do km 30 foi um martírio.

Faço uma pausa no relato e informo uma particularidade sobre a minha saúde: Durante muitos anos eu corri. Corria diariamente no asfalto. Isso foi em 1984...1985 até 1988. Uma semana antes de um campeonato brasileiro (JUB'S de João Pessoa-PB), estourou uma tendinite. Como resultado, recebi mais de 100 (cem) aplicações de ondas curtas e ultra som, injeção na parte posterior do calcanhar de duodecadron etc e tal.

Desde aquele tempo que o asfalto é um terror para mim. Para correr, faço uso de palmilhas e calçadeiras de silicone. Usei essas palmilhas na Maratona e nada senti das ex-contusões.
Outro detalhe, é que no ano 2000, eu levei uma radiografia do meu joelho esquerdo para um médico que trabalhava no Futebol profissional e ele disse que eu tinha artrose no joelho (algo que havia sido diagnosticado em 1983). Disse também que eu não deveria subir escadas correndo e que não fizesse exercícios de musculação com flexão dos membros inferiores. Por exemplo: o leg-press.

Como conseqüência e considerando que gosto de correr, comecei a correr na areia da praia (o Recife é uma cidade carente de areia e grama para correr. Principalmente para mim que moro no centro da cidade. Nas regiões mais afastadas é até possível que existam esses lugares). Corro muito em areia fofa, pois ela não me faz sentir dores nos calcanhares e mesmo assim, sempre com calçadeiras, palmilhas e sapatos Nike Air Max. Quando faço muitos treinos em asfalto, "sinto os pés". Diante desse quadro, na semana da Maratona, percursos leves na areia fofa (o que acredito não seja indicado), mas era o que eu poderia fazer para não machucar os pés.

Orientei uma pessoa para me entregar Gatorade em 2 (dois) pontos do percurso. Por volta dos km 12 e 27. Tomei em cada um uma garrafa de Gatorade, estava gelado (Gatorade quente é um caos! Risos). A quantidade de cada garrafa é a padronizada, ou seja 500ml.
Na semana da competição fiz a ingesta de carboidratos: pão integral, inhame (cará) etc e tal. Sim, sou vegetariano desde 1984, mas me sinto muito bem.

O meu tempo na prova não foi bom, o registro oficial foi de 4h16min40seg. Fiquei decepcionado com o tempo, pois até o km 30 estava dentro de 3h40min. Mas fazer o que....? Felizmente completei a prova.

Fim


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Créditos:
Texto copyright © por Walker Bezerra Vieira

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