Entrevistas
Zequinha Barbosa – 800m, 4 Olimpíadas
Entrevista realizada em Agosto de 2000 no Troféu Brasil de Atletismo

O grande meio-fundista Zequinha Barbosa deu esta entrevista para Antônio Júnior, da Rádio Carioca AM 710, durante o Troféu Brasil, no qual tentava se classificar para sua quinta Olimpíada. Zequinha, que não conseguiu índice olímpico sendo eliminado na semi-final, fala um pouco de seus momentos de alegria no esporte e planos para o futuro.

Antônio Júnior : Emoção forte nesta despedida com o estádio cheio ?
Zequinha Barbosa: É uma felicidade enorme o que fiz e consegui no atletismo, e seguir de cabeça erguida tendo o carinho deste povo me apoiando. Eu quero agradecer a Deus por ter me dado o dom de correr e a oportunidade de ter esta alegria e passado alegria a essa família chamada Brasil. Se nascer de novo quero ser brasileiro e participar do atletismo.

AJ : Você que participou de várias Olimpíadas, qual foi a especial que te marcou mais ?
Zequinha Barbosa : Olha toda Olimpíada é especial, mas a de 88 marcou bastante, já que foi uma Olimpíada numa cultura diferente aonde tudo correu bem comigo. Sem dúvida a Coréia foi uma grande Olimpíada.

AJ : E você ficou triste por não ter conseguido aqui o índice para a Olimpíada ? Ou já sabia que seria difícil ?
Zequinha Barbosa : Não, não fiquei triste. O atletismo é resultado, e como tinha sofrido de uma alergia e tido uma contratura, vi que não tinha mais condição.

AJ : O principal é que você sabe que tem o carinho de todo o povo brasileiro por sua garra e vontade demonstrada nas Olimpíadas e em todos Troféus Brasil em que participou.
Zequinha Barbosa : Isso que é o mais importante : conseguir dar esta alegria. Eu participei do Troféu Brasil pela primeira vez em 79, então são 21 Troféus.

AJ : E qual é a sua meta para o futuro ?
Zequinha Barbosa : Eu sou de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, e fui homenageado pelo governador Zeca do PT me nomeando secretário extraordinário do esporte. Agora vou voltar até lá para ser secretário de esporte do Mato Grosso do Sul. Também pretendo no futuro abrir o Instituto "Zequinha Barbosa Correndo pela Vida" e continuar trabalhando pelo esporte do Brasil.

PUBLICIDADE


História - 800m nas Olimpíadas:

Esta é uma das clássicas provas olímpicas, já que foi disputada desde primeira Olimpíada em Atenas-1896. Nesta ocasião o vencedor foi o australiano Edwin Flack com 2:11.0.

Deste então, os 800m foram dominados por americanos e britânicos que se alternaram como vencedores da medalha de ouro. Isto até a Olimpíada de 1960, em Roma, aonde o neozelandês Peter Snell quebrou a hegemonia anglo-americana vencendo em 1:46.3. O grande Snell, treinado pela legenda Arthur Lydiard, ainda repetiria a façanha em Tóquio-1964 conquistando o ouro em 1:45.1.

Em 1976, a primeira vitória de um atleta de um país de língua não inglesa. O cubano Alberto Juantoreana, o cavalo, venceu os 400m (44:26) e os 800m (1:43:50) na Olimpíada de Montreal.

A partir do final da década de 70 o domínio das provas de meio-fundo voltaria para os britânicos com as disputas entre Sebastian Coe e Steven Ovett. Em Moscou os dois atletas estavam no auge e, para o prazer dos amantes do esporte, a Grã-Bretanha não aderiu ao boicote americano dando-nos a oportunidade de apreciar os duelos entre estes grandes corredores.

Nos 800m, Steve Ovett levou a melhor vencendo em 1:45.4, ficando Coe em segundo com 1:45.9. Nesta prova o grande meio-fundista brasileiro Agberto Guimarães ficou na quarta colocação em 1:46.2, perdendo a medalha de bronze para o soviético Nicolai Kirov que marcou 1:46.0. Estava começando aí o período de ouro do atletismo brasileiro nesta distância que iria até 1996. Já nos 1.500m, Coe deu o troco em seu compatriota e venceu em 3:38.4, Ovett ficou em terceiro em 3:39.0 ficando atrás do alemão Jürgen Starub que marcou 3:38.4

A Olimpíada seguinte seria o momento mais glorioso do meio-fundo brasileiro. O Brasil contava com três grandes atletas para tentar o ouro nos 800m : Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa e Agberto Guimarães. Zequinha e Agberto ficaram na semi-final com os tempos de 1:48.70 e 1:46.60 respectivamente. Na final, Joaquim Cruz derrotou Sebastian Coe marcando recorde olímpico com 1:43.00. Este foi o maior momento do Brasil nesta Olimpíada. Coe, que ficou em segundo nos 800m com 1:43.64, venceria ainda os 1.500m - também com recorde olímpico - em 3:32.53.

Em 1988, na cidade de Seul, os meio-fundistas estavam no auge chegando Zequinha, Joaquim e Agberto na grande final dos 800m. Joaquim Cruz, o favorito, foi superado na reta final pelo queniano Paul Ereng, que marcou 1:43.45, ficando com a prata no tempo de 1:43.90. Em terceiro veia a estrela marroquina Said Aouita com o tempo de 1:44.06. Zequinha ficou em sexto lugar com 1:46.39 e Agberto em vigésimo quarto com 1:48.29. Zequinha ainda chegaria à final dos 1.500m ficando na 33a colocação com o tempo de 3:44.46 em prova vencida por Peter Rono do Quênia em 3:35.96.

Em Barcelona, 1992, sem Joaquim Cruz, a grande esperança brasileira nos 800m foi Zequinha Barbosa que estava no auge da sua carreira. Ele conseguiu a quarta colocação com 1:45.06. O vencedor foi o queniano Willian Tanui em 1:43.66.

Fonte : De Atenas a Atlanta, Maurício Cardoso, Ed. Página Aberta, 1996.

VoltarVoltar a Entrevistas de Atletas

Use essa ferramenta abaixo pesquisar nesse site:  

Use a busca abaixo para encontrar o que deseja em mais de 5 mil páginas sobre esporte, saúde e bem-estar:

© 1999-2018 Helio A. F. Fontes
Copacabana Runners - Atletismo e Maratonas