Entrevistas
Joaquim Cruz – 800m, Ouro em 1984
Entrevista realizada em Agosto de 2000 no Troféu Brasil de Atletismo

O medalha de ouro em 84 e prata em 88 nos 800 metros fala um pouco de suas glórias e de seu amor pelo atletismo para Antônio Júnior da Rádio Carioca 710 AM.

Antônio Júnior : Como é reviver o mundo das competições aqui no Troféu Brasil ?
Joaquim Cruz : É legal porque toda a emoção que tive em minha vida foi neste ambiente. E poder presenciar uma competição importante, com os grandes resultados que aconteceram hoje e a despedida do Zequinha, é maravilhoso.

AJ : Você tem saudade da época em que competia ?
Joaquim Cruz: Não dá saudade porque curti tanto o esporte enquanto estava praticando que aproveitei cada minuto. Mesmo porque voltei a competir. Não que tenha sentido saudade, mas devido à necessidade de continuar envolvido.

AJ : Que prova de seu passado você lembra com mais carinho?
Joaquim Cruz: Tenho que admitir que foi a Olimpíada de 1984 em Los Angeles, já que foi a prova que consegui chegar no máximo que se pode chegar como atleta. E a medalha de ouro tem um gostinho especial.

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História - 800m nas Olimpíadas:

Esta é uma das clássicas provas olímpicas, já que foi disputada desde primeira Olimpíada em Atenas-1896. Nesta ocasião o vencedor foi o australiano Edwin Flack com 2:11.0.

Deste então, os 800m foram dominados por americanos e britânicos que se alternaram como vencedores da medalha de ouro. Isto até a Olimpíada de 1960, em Roma, aonde o neozelandês Peter Snell quebrou a hegemonia anglo-americana vencendo em 1:46.3. O grande Snell, treinado pela legenda Arthur Lydiard, ainda repetiria a façanha em Tóquio-1964 conquistando o ouro em 1:45.1.

Em 1976, a primeira vitória de um atleta de um país de língua não inglesa. O cubano Alberto Juantoreana, o cavalo, venceu os 400m (44:26) e os 800m (1:43:50) na Olimpíada de Montreal.

A partir do final da década de 70 o domínio das provas de meio-fundo voltaria para os britânicos com as disputas entre Sebastian Coe e Steven Ovett. Em Moscou os dois atletas estavam no auge e, para o prazer dos amantes do esporte, a Grã-Bretanha não aderiu ao boicote americano dando-nos a oportunidade de apreciar os duelos entre estes grandes corredores.

Nos 800m, Steve Ovett levou a melhor vencendo em 1:45.4, ficando Coe em segundo com 1:45.9. Nesta prova o grande meio-fundista brasileiro Agberto Guimarães ficou na quarta colocação em 1:46.2, perdendo a medalha de bronze para o soviético Nicolai Kirov que marcou 1:46.0. Estava começando aí o período de ouro do atletismo brasileiro nesta distância que iria até 1996. Já nos 1.500m, Coe deu o troco em seu compatriota e venceu em 3:38.4, Ovett ficou em terceiro em 3:39.0 ficando atrás do alemão Jürgen Starub que marcou 3:38.4

A Olimpíada seguinte seria o momento mais glorioso do meio-fundo brasileiro. O Brasil contava com três grandes atletas para tentar o ouro nos 800m : Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa e Agberto Guimarães. Zequinha e Agberto ficaram na semi-final com os tempos de 1:48.70 e 1:46.60 respectivamente. Na final, Joaquim Cruz derrotou Sebastian Coe marcando recorde olímpico com 1:43.00. Este foi o maior momento do Brasil nesta Olimpíada. Coe, que ficou em segundo nos 800m com 1:43.64, venceria ainda os 1.500m - também com recorde olímpico - em 3:32.53.

Em 1988, na cidade de Seul, os meio-fundistas estavam no auge chegando Zequinha, Joaquim e Agberto na grande final dos 800m. Joaquim Cruz, o favorito, foi superado na reta final pelo queniano Paul Ereng, que marcou 1:43.45, ficando com a prata no tempo de 1:43.90. Em terceiro veia a estrela marroquina Said Aouita com o tempo de 1:44.06. Zequinha ficou em sexto lugar com 1:46.39 e Agberto em vigésimo quarto com 1:48.29. Zequinha ainda chegaria à final dos 1.500m ficando na 33a colocação com o tempo de 3:44.46 em prova vencida por Peter Rono do Quênia em 3:35.96.

Em Barcelona, 1992, sem Joaquim Cruz, a grande esperança brasileira nos 800m foi Zequinha Barbosa que estava no auge da sua carreira. Ele conseguiu a quarta colocação com 1:45.06. O vencedor foi o queniano Willian Tanui em 1:43.66.

Fonte : De Atenas a Atlanta, Maurício Cardoso, Ed. Página Aberta, 1996.

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