Periodização do treinamento

“Esse termo origina-se da palavra período, que é uma porção ou divisão do tempo em pequenos seguimentos, mais fáceis de controlar, denominados fases”, in Bompa; 2002. Segundo Barbanti;1979, a palavra periodização surgiu oficialmente no cenário esportivo mundial em 1965, graças aos estudos de Matveyev. 

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O treinamento para que seja mais bem aproveitado ou rentável ao organismo, deve ser elaborado de forma organizada e requer a aplicação de modelos periodizados. Deve-se planejar ou estruturar racionalmente cada fase do treinamento, para que dentro do período de tempo disponível do macrociclo o objetivo ou alvo seja alcançado. 

A periodização visa a organizar didaticamente o tempo disponível para se atingir a meta/ alvo. A qualidade física ou a forma física do aluno/atleta desejada, será alcançada por meio do controle organizacional o qual, dividindo o treino em fases ou períodos, gera um controle pleno dos treinamentos permanentemente.

Estes períodos possuem objetivos firmados previamente em função do estado de treinamento em que se encontra o aluno/atleta, para que o mesmo seja submetido a treinamentos organizados sistematicamente e dentro das possibilidades individuais. É fundamental que cada fase da periodização seja desenhada ou estruturada para que se torne a base ou o alicerce para a fase subseqüente. 

Abaixo se encontram no quadro 01, alguns conceitos de periodização firmados por autores de várias escolas teóricas do treinamento desportivo, para que o leitor possa ter uma visão mais detalhada sobre o tema. 

Quadro 01

Conceitos

Autores/ano

“Chama-se periodização de um treinamento desportivo de alto rendimento a divisão do mesmo em etapas...” 

Tubino; 1980.

“...é uma divisão do ano em períodos, cada qual com uma finalidade bem definida”.

Fernades;1981

“Divisão da temporada de treinamento em intervalos menores e melhor administráveis (períodos de treinamento, mesociclo, macrociclo) com o objetivo final de alcançar o melhor desempenho durante as competições principais de uma temporada”.

Zatsiorsky; 1999.

“O termo mais popular para as alterações de programa é periodização, que é uma variação planejada das variáveis agudas do programa”.

Fleck & Kraemer;1999.

“Processo de estruturação do treinamento em fases”. 

Bompa;2002.

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Subdivisão da periodização

A periodização possui subdivisões para que seja mais bem compreendida e a prática seja orientada, visando sempre atingir a condição física máxima, dentro do período de tempo previamente estipulado no plano de expectativa ou macrociclo.

As qualidades físicas possuem respostas ao treinamento diferenciadas e que podem atingir de 01 a 03 picos máximos durante o ano, sendo portanto a periodização programada em comum acordo com estas respostas do organismo ao treinamento. Veja quadros 02, 03.

Quadro 02

Período aproximado de treinamento das valências físicas*

Resistência aeróbia Resistência anaeróbia Força máxima Força Explosiva Hipertrofia muscular
3 meses 2 meses 12 a 18 meses 5 a 6 meses 3 meses

Quadro 03

Capacidade biomotora Número de peaks por ano  Macrociclo
Força máxima 2 Semestral / Bianual
Força explosiva 1 a 3 Quadrimestral
Resistência aeróbia 1 Anual ou simples

Os dados apresentados no quadro 02 foram colhidos de experiências cotidianas citados por Dantas;1985 in Chiesa; 1999.

No quadro 04 encontram-se as indicações dos períodos ou etapas do treinamento, que objetivam elevar o rendimento das qualidades físicas de força e da formação muscular ou hipertrofia.

Quadro 04

Treinamento de força máxima - 7 a 13 semanas

Treinamento de formação muscular - 4 a 8 semanas

Treinamento intramuscular - 3 a 5 semanas

Treinamento de força rápida (intermuscular e técnico) aproximadamente 3 semanas. 

Weineck; 1999.

Podemos identificar dois tipos distintos de periodização. A periodização simples, a qual objetiva atingir apenas um ponto máximo ou peak no decorrer do treinamento anual.Diferentemente a periodização dupla é construída visando atingir dois picos anuais máximos. Weineck;1999.

A periodização poderá ser aplicada por meio do processo de manipulação das cargas de treinamento de forma linear ou clássica, assim como, há uma possível variação por meio da forma não linear, ondulante ou contemporânea, Fleck & Kraemer;1999.

A forma não linear de aplicação do treinamento na periodização,possui a vantagem de ser mais motivadora e de elevar mais rápida e significativamente a um estado de condicionamento físico superior ao alcançado por meio da forma de aplicação de treinamento não periodizado.
O treinamento linear estabelece durante todas as fases do treinamento a aplicação de uma mesma faixa de carga para o treinamento culminando em um período de recuperação ativa, com percentual de carga sendo reduzido apenas neste momento do treinamento, não utilizando percentuais com sobrecargas de caráter variado. Contrariamente a forma não linear estabelece modificações periódicas sobre os percentuais de cargas a serem trabalhados durante as várias fases do treinamento, alternando-se períodos com sobrecargas de característica alta,média e baixa

Tenho observado uma maior motivação dos alunos e uma evolução contínua com elevação mais rápida e acentuada nos aspectos relacionados à força muscular, quando da aplicação das variáveis do treinamento, utilizando o modelo não linear. 

A estagnação da força é driblada por meio da quebra da barreira da força e hipertrofia. A presente quebra da barreira citada, é provocada pela modificação periodizada dos percentuais de cargas, proporcionando uma maior treinabilidade dos vários tipos de fibras musculares, por meio desta sistemática de treinamento não linear.

A variação do ritmo ou cadência (velocidade) na execução dos exercícios deve ser estimulada e controlada em comum acordo com os objetivos do treino. Executar movimentos rápidos mesmo que com cargas mais baixas, mobiliza as fibras do tipo II ou fibras rápidas de força e ou velocidade e inibe as do Tipo I (fibras de resistência, contração lenta), neste caso quando o objetivo central for o desenvolvimento da força muscular. 

Quando o objetivo do treinamento estiver voltado para a hipertrofia ou resistência de força muscular, os movimentos com as cargas inferiores, devem ser realizados de forma média a lenta, visando mobilizar no presente microciclo (cargas médias e baixas) as fibras do Tipo I, Zakharov;1992. 

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Créditos:
Texto copyright © por Luiz Carlos Chiesa
Profissional de Educação Física - Registro CREF1/ES- N.º 000069
Autor dos livros:
Musculação: uma proposta de trabalho e desenvolvimento humano, Espírito Santo: Editora da U.F.E.S, 1999.
Musculação: Aplicações práticas – Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento, Rio de Janeiro: editora Shape, 2002.

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