Obesidade na sociedade e empresas

Chega a ser um contra-senso nos dias de hoje, em que vivemos numa sociedade “dita” moderna, sendo o progresso da ciência e da Medicina indiscutíveis a obesidade avançar em proporções tão alarmantes. Se por um lado aumenta o número de academias onde supostamente haveria mais e mais pessoas abandonando o sedentarismo, do outro aumenta o número de óbitos por acidente cardiovascular, complicações com o diabetes e outras doenças com origem na falta de uma consciência de qualidade de vida. Estima-se que mais da metade da população ainda seja sedentária embora mais da metade dessa mesma população tenha acesso à informação ou em algum momento em suas vidas já experimentaram o prazer de fazer exercício físico.

De quem é a culpa? São muitos os culpados atribuídos pelas próprias pessoas que não fazem exercício físico.

Em primeiro lugar na escola fundamental não existe um programa claro de Educação Física voltado à aquisição do hábito de fazer atividade física visando a saúde. Muita gente, no máximo teve experiência com jogos esportivos escolares onde está em jogo muito mais a vaidade da direção da escola vencer esse ou aquele campeonato estudantil ou ainda participar de brincadeiras e jogos escolhidos pelo professor para simplesmente cumprir sua jornada de trabalho. Ou seja, sem fundamento de educação em longo prazo de bons hábitos de saúde. Em boa parte impera a monocultura do futebol e a desvalorização do profissional de Educação Física.

Não falta quem justifique e se apresse em dizer que: “se atividade física fosse bom, os médicos que vivem enchendo o saco da gente pra fazer exercício seriam os primeiros a dar o exemplo”. É verdade. Muitos até fumam e são obesos. 

Existe ainda a legião desacreditada que tentou e não conseguiu por conta de contusão e/ou azar de ter sido mal orientado em academia em casa ou mesmo praticando um esporte popular qualquer.

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Não é difícil entender que menos sedentários significa menos leitos ocupados nos hospitais públicos. No entanto, os governos estaduais e municipais não movem uma palha sequer para desencadear e ou promover políticas públicas de atividade física em massa para melhorar a qualidade de vida do cidadão. Quando o fazem é apenas passageira para angariar miseráveis votos e iludir inocentes. Mesmo se quisessem fica difícil recrutar profissionais da área de saúde porque muitos nem estão preparados para isso até por culpa da formação. Fisiologia do Exercício e/ou Medicina Esportiva não faz parte da maioria da grade curricular da Medicina. Segundo Dr. Paulo Pegado, especialista nessa área, a formação médica ainda é voltada para a medicina curativa e check-up periódico, não a Medicina preventiva. Não é difícil um sujeito sedentário sem sintomas ainda de doença fazer todos os exames e receber um sonoro e entusiasmado parabéns do médico. “Você está ótimo!”

A vida da maioria dos brasileiros é trabalhar muitas horas até por conta da situação do país, mas na maioria das empresas não existe a preocupação com a saúde e qualidade de vida dos empregados. Nas grandes, como Petrobras, Vale do Rio Doce, Banco de Brasil e etc. existe é um bom plano de saúde entre outras garantias sociais, mas não uma política voltada a diminuir o sedentarismo, a obesidade e as mortes por doenças cardiovasculares. Os empregados dessas empresas são obrigados e pressionados a fazer check-up periódico, mas os índices de mortalidade cardiovascular e sedentarismo ainda são muito altos. Para se ter uma idéia em fevereiro de 2001 no Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES) um estudo identificou que de um total de 1.191 empregados, foram avaliados 970, sendo 75,4% homens e 24,6% mulheres, com idade média de 42,2 anos a prevalência de fatores de risco foi o sedentarismo (67,3%), o colesterol > 200 mg/dl (56,6%), o sobrepeso (42%), a obesidade (17%), a hipertensão arterial (18,2%), o tabagismo (12,4%) e o diabetes mellitus (2,5%). Estes números estão disponíveis na Internet. 

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Não basta ter plano de saúde bom. É preciso uma política mais severa de incentivo à atividade física. A ginástica laboral, adotada na Petrobras só decola nas divisões onde o gerente pessoalmente se empenha em acontecer. As empresas contratadas para oferecer a ginástica laboral, por sua vez exploram a mão de obra barata e os profissionais destinados a ministrar a ginástica muitas vezes se apresentam sem um mínimo de vontade. Chega a ser um contra-senso algumas empresas serem tão evoluídas em programas de Qualidade Total e se arrastarem na cultura da qualidade de vida.

Cartas para: lcmoraes@compuland.com.br

Para Refletir: Quem corre atrás dos sonhos e nele acredita sofre menos por absoluta falta de tempo.
Sobre a Ética – Se o conhecimento, a experiência e o bom senso não forem suficientes, leia o código de ética da sua profissão.

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Texto copyright © 2008 por Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529
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