Fatores de risco para a obesidade infantil

Alimentação saudável para crianças - CDC/ Mary Anne Fenley

O assustador aumento no índice de obesidade infantil está diretamente relacionado ás mudanças no estilo de vida da população. Atualmente, as crianças e adolescentes estão cada vez mais sedentários, trocando exercícios físicos e brincadeiras por atividades quase inertes. Além disso, preferem sanduíches e refrigerantes a uma alimentação mais saudável.

A obesidade infantil é uma patologia mais complexa do que parece, seus fatores de risco podem ser classificados em endógenos (internos ao organismo) e exógenos (externos ao organismo).

Fatores endógenos podem estar relacionados á alterações hormonais e disfunção na tireóide, a carga genética também tem relevância na evolução da obesidade em uma criança. O metabolismo é outro fator interno importante, crianças com metabolismo lento têm maior facilidade para o acúmulo de gordura, por outro lado as crianças com metabolismo mais acelerado têm menor probabilidade de desenvolver a obesidade.

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Essa situação pode explicar o fato de determinadas pessoas que mesmo ingerindo grandes quantidades de alimentos e com hábitos sedentários, dificilmente estarem acima do peso e outras que não têm uma alimentação exagerada, freqüentemente brigarem com a balança. As taxas metabólicas podem ser parcialmente modificáveis, podemos acelerar o metabolismo com reeducação alimentar, atividades físicas e adequação dos hábitos diários.

A predisposição genética é um fator de risco irreversível, porém são relativamente poucos os casos de obesidade oriundos apenas da hereditariedade. A grande maioria das ocorrências tem origem comportamental, sendo assim o estilo de vida parece ser um componente importante em sua gênese.

Os fatores exógenos constituem o principal motivo pelo qual ocorre o surgimento da obesidade, são fatores relacionados ao estilo de vida, portanto, são modificáveis. Os hábitos diários das pessoas da família exercem forte influência quando se fala em obesidade entre crianças. Fazem parte dos fatores de risco exógenos os hábitos alimentares e de atividade física, além de situações capazes de influenciar o equilíbrio psicológico. Esses fatores são responsáveis por aproximadamente 98% dos casos de obesidade na infância e na adolescência. 

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Nos dias de hoje alguns hábitos se tornam freqüentes entre criança e podem levar ao excesso de peso: não respeitar horários fixos para as refeições, exagero na quantidade de comida, número de refeições diárias, ingerir alimentos muito clóricos no intervalo das refeições, passar horas sentado em frente ao computador ou TV e ausência de atividade física regular são exemplos disso.

Existe também a obesidade desencadeada pelos dois fatores concomitantemente. Uma criança com predisposição genética para o acúmulo de gordura corporal (endógena) e que cultiva hábitos insalubres (exógena), certamente está fadada a se tornar obesa.

Portanto, sendo grande parte dos casos de obesidade originários de fatores exógenos comportamentais, a solução para evitá-la é: prevenção+prevenção+prevenção.

Porém, uma criança sozinha não é capaz de transformar sua rotina diária. A interferência dos pais é fundamental nesse processo, estimulando seus filhos a praticar atividades físicas prazerosas e oferecendo-lhes uma alimentação saudável. É nessa fase da vida que nossos hábitos são cristalizados, os filhos se espelham em seus pais, os exemplos são fundamentais. Pais fisicamente ativos, certamente não encontrarão muita resistência por parte dos filhos para práticas esportivas. 

A obesidade pode se manifestar tanto por hiperplasia (aumento na quantidade das células de gordura) quanto por hipertrofia (aumento no tamanho das células de gordura). As células de gordura são chamadas de adopócitos, que fazem parte do tecido adiposo, são responsáveis pelo armazenamento de gordura no corpo humano. Quando é ultrapassado o limite de armazenamento de uma célula adiposa é criada uma nova célula no tecido adiposo. A hiperplasia, o aumento exagerado do número de adipócitos pode contribuir significativamente para a manifestação da obesidade infantil em três períodos específicos. 

O primeiro, ainda na gestação, principalmente nos últimos três meses, quando os alimentos ingeridos pela mãe influenciam na formação da composição corporal da criança. O segundo período está situado por volta do primeiro ano de vida, quando da introdução de alimentos sólidos, geralmente com grande valor calórico e pouco nutritivos como doces, refrigerantes, chocolates, salgadinhos entre outros. O terceiro período crítico é por volta dos seis ou sete anos de idade quando a criança inicia sua vida escolar, faz amizades novas, compartilha lanches e passa a adquirir novos hábitos alimentares. Já a hipertrofia, ou seja, o aumento no tamanho dos adipócitos, pode ocorrer em qualquer fase da vida.

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Créditos:
Texto copyright © 2008 por Alex Batalha Machado da Silva - alex.batalha@hotmail.com
Alex Batalha Machado da Silva é professor de educação física, especializado em obesidade infantil, desenvolve trabalho com crianças e adultos, tem várias publicações e reportagens em jornais e tvs, e é colunista de sites.