Diabetes mellitus tipo 2 - Novas pesquisas
Fatores que atuam sobre transportadores são a chave para novos tratamentos contra o diabetes

Teste de glicose - NIDDK Image Gallery

Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP identificaram fatores que podem ser importantes nas pesquisas de novas drogas contra o diabetes mellitus (tipo 2). Os estudos feitos até o momento indicam que os hormônios, o teor de sódio no sangue e a quantidade e o tipo de gordura ingerida são importantes na regulação de transportadores de glicose - proteínas que permitem a reserva de energia nas células.

O diabetes tipo 2 surge de problemas nos mecanismos intra-celulares de reserva de glicose. "Quando há ingestão de muita comida, o organismo precisa lidar com uma grande quantidade de glicose, estocando parte dela em células dos tecidos adiposo e muscular", explica o professor Ubiratan Fabres Machado, que coordena o projeto de pesquisa. O diabetes aparece quando a célula já não consegue realizar essa estocagem, e a taxa de glicose no sangue aumenta.

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Nesse processo, um transportador de glicose conhecido como GLUT4 tem grande importância. "Ele atua nas células musculares e de gordura, principais locais de reserva, e é o responsável pelo metabolismo de glicose na célula", afirma Machado. "Por isso, exerce um papel fundamental na regulagem da concentração de glicose no sangue." O diabetes tipo 2 é desencadeado por deficiências na cadeia de processos celulares que envolvem o GLUT4, cuja ação é estimulada pela insulina.

Com o passar do tempo e com o agravamento da doença, surgem complicações em outras partes do organismo, como rins, olhos e neurônios. Nessa etapa são afetados outros transportadores de glicose, específicos dessas regiões do organismo.

Influências

Estudos desenvolvidos com ratos pelo grupo do professor Ubiratan Machado apontam uma série de fatores que podem influenciar o funcionamento do transportador GLUT4. Entre eles está a redução do teor de sódio (consumo de sal). "Alguns resultados indicam que a redução na ingestão de sal, recomendada a hipertensos, pode ocasionar resistência à insulina e aumentar as chances de que haja uma disfunção na atuação do GLUT4", esclarece Machado. A ausência de melatonina, hormônio apontado como regulador do sono e que diminui com o envelhecimento, também parece ser prejudicial.

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Outros elementos que podem ter influência sobre a ação do GLUT4 são o tipo e a quantidade de gordura ingerida, a realização de exercícios físicos (que melhoram a ação do transportador) e os hormônios estrógenos. Segundo Machado, um pesquisador colaborador na Suécia chegou à conclusão de que análogos sintéticos dos estrógenos, que estão sendo desenvolvidos para tratamento de reposição estrogênica na menopausa, podem induzir o desenvolvimento de diabetes. Entretanto, ressalva o professor, ainda são necessários estudos para comprovar e detalhar a atuação desses fatores de influência.

Síndrome metabólica

O principal objetivo dessas pesquisas é apontar caminhos para estudos sobre novos medicamentos contra o diabetes. Mas antes de se recomendar um tratamento para uma determinada doença, é necessário investigar como ele age em outras áreas do organismo. "Recentemente tem se mostrado que há uma associação entre doenças, sobretudo entre as que compõem o que se conhece por Síndrome Metabólica: diabetes, obesidade e hipertensão", explica Machado. O professor publicará em maio um artigo sobre o papel dos transportadores de glicose nos componentes dessa síndrome no próximo volume - especial sobre a Síndrome Metabólica - do periódico Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia.

O projeto de pesquisa coordenado pelo professor Ubiratan Machado, Regulação da Expressão Gênica dos Transportadores de Glicose no Diabetes Mellitus: Papel na Fisiopatologia e Potencialidades Preventivas e Terapêuticas, teve início em 2002 com financiamento da Fapesp na categoria de Projeto Temático, e será finalizado neste ano. Os estudos na área devem ser aprofundados em um novo projeto.
Fonte: Júlio Bernardes , Agencia USP.

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