Uso de células tronco - Longo caminho à frente

Células tronco - NSF

O uso de células-tronco em terapias humanas, sejam elas de origem embrionária ou adulta, já faz parte do imaginário popular. Mas, à medida que as expectativas crescem na sociedade, elas tendem a ser frustradas no curto prazo. Isso porque, dentro do campo científico, apesar de avanços gigantescos registrados nos últimos anos, os obstáculos ainda são enormes.

Uma das áreas onde isso está mais presente, conforme mostra especial da revista Nature sobre células-tronco lançado nesta quinta-feira (29/6), é a neurologia. A enorme plasticidade do cérebro retrata bem os muitos desafios dos pesquisadores.

“Grande parcela da sociedade acredita que no cérebro existam apenas neurônios e ponto final. E que todos eles são idênticos”, disse Alysson Muotri à Agência FAPESP. O pesquisador brasileiro, atualmente no Instituto Salk, na Califórnia, é autor de um dos oito artigos do especial, ao lado do colega norte-americano Fred Gage.

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No caso do uso das células-tronco para recriar neurônios destruídos por causas diversas, o trabalho científico seria simples se o senso comum estivesse certo. Bastaria diferenciar essas matrizes biológicas em neurônios e pronto. A aplicação clínica seria imediata. “Infelizmente, isso não é verdade, muito pelo contrário”, disse Muotri.

Segundo o cientista, existem mais de 10 mil tipos de neurônios no ser humano, além de pequenas variações entre uma mesma família. “Cada neurônio é um indivíduo que se comunica com milhares de outros, formando as redes neuronais”, disse. Além disso, esses conjuntos são únicos. “Isso porque eles são influenciados pelo ambiente e histórico social de cada pessoa, produzindo uma mesma forma de pensar, raciocinar e se emocionar.”

Exatamente por causa desse incrível número de possibilidades, o ser humano tem uma enorme capacidade cognitiva. A sofisticação do pensamento criativo, da consciência do “eu” e assim por diante são únicos na espécie. Por esse mesmo motivo imitar essas redes neuronais também não é algo trivial.

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“Para gerar essa quantidade enorme de tipos específicos, as células neurais progenitoras precisam usar diversos mecanismos genéticos que garantam maior flexibilidade na expressão gênica”, explica Muotri. Como muitos desses verdadeiros truques genéticos não são ainda sequer entendidos, ainda serão necessários muitos avanços na pesquisa considerada básica antes que possa ser imaginado qualquer tipo de aplicação.

Protocolos únicos

Para alguns tipos de neurônios, como mostra o artigo de Muotri e Gage, já se consegue fazer a diferenciação de células-tronco adultas ou embrionárias em uma porcentagem razoável. O problema é que todas essas pesquisas foram feitas apenas em roedores. “No caso dos humanos, os resultados não foram tão satisfatórios. Ao aplicarmos os protocolos feitos para os ratos, as respostas não foram as mesmas. Temos que redescobrir como isso funciona em células humanas”, disse.

Diante de perguntas ainda básicas, um esboço do caminho a ser seguido, no caso do uso de células-tronco para o tratamento de doenças do cérebro, emerge das pesquisas realizadas até agora. “Cada síndrome terá de seguir um protocolo distinto, que vai depender muito do conhecimento atual de como cada uma delas evolui”, disse.

Apesar das dúvidas estarem presentes em grande quantidade, o momento atual das ciências biológicas deve ser enaltecido, segundo o pesquisador brasileiro. “Estamos diante de uma oportunidade de ouro, que ocorreu apenas na atual geração, com o cultivo das células-tronco embrionárias humanas. Estamos como que espiando fases iniciais da formação humana. E isso é fantástico”, disse Muotri.
Fonte: Eduardo Geraque, Agencia Fapesp

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